E a redação do ENEM?

A Prova do ENEM 2017, contrariando todas as expectativas, trouxe para discussão a educação inclusiva, através do tema da redação que foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Foi uma escolha bastante arriscada, tendo em vista que a inclusão de pessoas deficientes ainda corresponde a número de vagas nas escolas regulares. Desde 2002 que, por lei, Libras – Língua Brasileira de Sinais (não astrologia) é a segunda língua oficial do Brasil, fato este que, quinze anos depois, ainda é desconhecido por educadores e estudantes; até grande parte das famílias dos surdos também não sabe deste direito. Sendo assim, abordar tal tema na redação do ENEM pode causar grande espanto ao se perceber que uma porcentagem considerável de candidatos não soube como argumentar.

A inclusão, atualmente, apesar do acesso as escolas, não acontece ainda como deveria: professores sem formação para trabalhar com deficientes; o preconceito dos alunos e das famílias; a escola que não está preparada para receber devidamente os deficientes. Por exemplo, por lei é obrigatório que o surdo tenha um intérprete de Libras na sala regular, mas os demais alunos e o professor não sabem como lidar com a presença do intérprete, como se este profissional distraísse a classe. O deficiente é tratado, ainda e infelizmente, como o “doidinho”, o “doentinho” e outros predicados pejorativos.

Em nosso município temos o Centro de Atendimento Educacional Especializado – CAEE, uma instituição da rede de ensino municipal e que atende, em turno oposto, cerca de 90 alunos deficientes matriculados na rede de ensino regular, de Acajutiba e de Aporá. O Centro dispõe de uma equipe pedagógica e de profissionais especializados, como Psicóloga, Fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, especialistas em Libras e em educação inclusiva, além de voluntários de várias áreas. Entretanto, os docentes que tem esses alunos na sala regular sentem muita dificuldade de trabalhar com eles, de verdade, mediando a construção do conhecimento, socializando as crianças, fazendo a verdadeira inclusão, recorrendo na maioria das vezes à equipe do CAEE.

Já existe a proposta para 2018, da Secretaria de Educação, Cultura, Desporto e Lazer, em oferecer a formação básica de Libras para os docentes, além de uma formação continuada sobre educação inclusiva, estratégia das metas do Plano Municipal de Educação – PME. Isso, com certeza, já será um grande passado para contribuir com a verdadeira inclusão em Acajutiba.

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